Ponte dos Ingleses se transforma em destino gastronômico com comidas que viralizaram nas redes

Quando o sol começa a se despedir na Praia de Iracema, um dos cenários mais icônicos de Fortaleza ganha vários ingredientes para atrair moradores e turistas. À vista da Ponte dos Ingleses, carrinhos e stands de comida reinventam os clássicos da gastronomia de rua com combinações criativas, apresentações chamativas e sabores que viralizam nas redes sociais.

Se antes o passeio era acompanhado por um simples milho cozido ou uma água de coco, um picolé, hoje o cardápio reúne novidades que despertam a curiosidade de quem passa pelo local.

Frutas servidas no copo ganham recheios inspirados no famoso chocolate de Dubai, o tradicional milho recebe queijo coalho maçaricado e molhos especiais, enquanto cones gigantes recheados tornam um lanche simples em uma refeição pensada para impressionar até os paladares mais apurados.

As novas versões de comidas já conhecidas mostram como a gastronomia de rua de Fortaleza tem acompanhado as novas tendências desse mercado.

Em um dos principais cartões-postais da Capital cearense, empreendedores apostam na criatividade para conquistar clientes e transformar um passeio à beira-mar em uma experiência gastronômica cada vez mais diversificada.

Foi para conhecer de perto esse movimento que a reportagem do Diário do Nordeste percorreu os stands e carrinhos instalados na Ponte dos Ingleses, conversou com vendedores e consumidores, e descobriu como essas novidades vêm mudando o cenário da comida de rua em Fortaleza.

Recheio de Dubai atrai fila em Fortaleza

De quinta a domingo, quem passa pela região no fim da tarde vê uma grande fila se formar em torno do carrinho Frutas no Copo 085.

Há 3 meses instalado nesse point da Cidade, o empreendimento de Camila Freitas e Fernando Dias tem como carro-chefe a salada de frutas, que ganhou uma nova roupagem com inspirações vindas de Dubai e até Londres.

“Nosso diferencial é as frutas com os cremes. Você vai comer o copo de Dubai aqui em Fortaleza. O nosso segredo é o kadaif, massa artesanal crocante, que tem inspiração árabe e é de produção própria”, conta Camila.

Segundo a empreendedora, a ideia de trazer para a Capital os copos de Dubai e Londres surgiu em um momento de crise financeira, em que se viu desafiada a inovar no mercado gastronômico.

Os clientes se deparam com uma variedade de caldas, que vão desde pistache, creme de avelã, Kinder Bueno, Ferrero Rocher, a Ninho com Nutella e paçoca, além dos complementos como disquete, chocoball, amendoim e biscoito.

Há também opções mais leves e saudáveis para quem não quer exagerar no doce. As saladas de frutas que acompanham creme de maracujá natural ou creme de morango são campeãs de vendas. Os valores dos produtos vão de R$ 10 a R$ 25.

O milho ‘diferentão’ da Ponte

Foi de um passeio na praia com o primo que Adriano Oliveira, proprietário do Point Milho 085, teve a ideia de montar um negócio que se destacasse do já tradicional milho cozido na espiga. 

“A gente viu a oportunidade de empreender e começou a vender milho e queijo. Aí eu pensei: ‘não quero ser mais um milheiro na praia’. Eu queria ser diferente. Então, eu pensei em trazer novos molhos pro queijo. Já tinha o melaço, a goiabada, que já saía muito, e comecei a fazer outros molhos, como geleia de pimenta, barbecue, creme de morango e outros como chocolate com avelã”, explica Adriano, fundador do Point Milho 085.

Para ele, o segredo para manter uma clientela fiel, ao mesmo tempo em que conquista novos públicos, é entender as tendências do mercado e se reinventar oferencendo novas combinações em uma experiência inusitada. 

“Aí você come (o milho) já todo cortadinho, só no ponto, temperado. O queijo você pode pegar no palito, passar no molho. É uma explosão de sabores. Não é só um milho, é uma experiência”, afirma Adriano, que fundou o negócio há 2 anos e 4 meses.

Com opções doces e salgadas, que variam de R$ 15 a R$ 20, as opções de molho incluem variações com temperos diversos, ninho, pistache, nutella, e também opções de queijo com calabresa, carne de sol, frango ou bacon.

Do pratinho ao cone gigante

O já tradicional pratinho, queridinho dos cearenses, ganhou uma apresentação especial pelas mãos da empreendedora Jéssica Cunha.

A vendedora pensou: “por que não unir o canudo ao pratinho?”. O resultado é um cone gigante de borda crocante que junta os sabores de creme de galinha, vatapá de frango, farofa, batata palha e frango na chapa.

E a ideia chamou a atenção até do público com paladar mais exótico, o que justifica a viralização do prato nas redes sociais. 

Os preços variam de R$ 10, o cone menor, e de R$ 20, do chamado cone gigante.

“Eu achei maravilhoso. Nunca tinha visto um cone tão gigante assim, unindo comidas do nosso Ceará. É a primeira vez que venho aqui, mas já tinha visto nas redes sociais. Vou dividir com uma amiga, porque dá pra 2, 3 pessoas tranquilamente”, ressaltou a professora Joice Freitas, cliente da barraquinha.

Tendências que viralizam nas redes sociais

A enfermeira Letícia Silva diz que conheceu o famoso Copo de Dubai por meio de um vídeo compartilhado por uma amiga. 

“Fiquei muito curiosa pra experimentar, e hoje tive a oportunidade de vir aqui. Tá viralizado, vi muita gente postando, comentando, aí a gente quer conferir a novidade. É tudo isso mesmo que falam nas redes sociais, está aprovadíssimo”, disse a cliente.

Para Matheus Vieira, chef e criador de conteúdo digital, a comida de rua se torna uma oportunidade mais democrática de negócio, em que o empreendedor consegue começar com menos recursos e aplicar uma ideia que muitas vezes já viu na internet.

“Com o investimento mais baixo, de ter uma estrutura mais enxuta, você consegue aplicar as ideias numa velocidade maior, além do potencial da viralização. As filas começam a chamar a atenção e as pessoas vão registrando nas redes sociais as suas experiências. A inovação vem muito por conta também do brasileiro ser muito criativo. A gente absorve muito bem as influências de consumo de outros lugares e dá o nosso jeitinho”, afirma o especialista.

Segundo o chef, a internet dá esse impulso de oportunidades de empreendedorismo na gastronomia, sendo Fortaleza um grande cenário potencial de investimento do setor.

“Hoje, a gente entende que as redes sociais são uma espécie de grande consciência coletiva. Inclusive, existem perfis especializados que dão ideias de alimentos que têm potencial viral, pegando exemplo de outras outras regiões. Então, a comida de rua possibilita essa facilidade do ponto de entrada”, analisa o criador de conteúdo.

Inovação e criatividade como ponto-chave

Com tantas opções à vista do consumidor, tem se tornando um desafio cada vez maior para o empreendedor aplicar um negócio que se destaque e conquiste uma clientela sólida, que não seja passageira como a velocidade da viralização.

O apelo visual das comidas de rua, muitas vezes chamativo, exagerado, com cores vibrantes, tem se tornado uma prerrogativa para o sucesso das comidas de rua nas redes sociais.

“Essa questão da comida mais apelativa, exagerada visualmente é um termo chamado ‘porn food’. Seja no uso das caudas, seja no uso de contraste de cores para poder criar mais desejo. Eu percebo que esse comportamento muitas vezes é um reflexo do padrão da internet”, explica o chef Matheus Vieira

“A ideia muitas vezes nasce na internet e é aplicada nas ruas, mas a internet alimenta novamente com o movimento de clientes. Então, você tem a inspiração, você aplica, o produto viraliza porque algum consumidor ou influenciador posta e isso vira uma grande roda viva. É muito interessante o que a gente tem visto aqui na nossa cidade. Uma cena de comida de rua super vibrante”, reflete o especialista.

FONTE – DIARIO DO NORDESTE

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