Uma nova caneta contra obesidade apresentou resultados fortes em um estudo de fase 3 publicado nesta semana no New England Journal of Medicine. A retatrutida, uma injeção semanal e experimental da Eli Lilly, fez participantes sem diabetes perderem, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas na dose mais alta.
Entre aqueles que permaneceram no estudo por 104 semanas, a perda média chegou a 30,3%. O estudo, chamado TRIUMPH-1, avaliou adultos com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso.
A pesquisa foi publicada nesta terça-feira, 29 de setembro, e representa uma das etapas finais antes de uma eventual aprovação do medicamento.
Como funciona a nova caneta
A retatrutida é aplicada uma vez por semana e a diferença é que ela atua ao mesmo tempo em três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. Esses hormônios participam do controle da fome, da saciedade, da glicose no sangue e do metabolismo.
É por isso que a retatrutida vem sendo chamada de “triplo agonista”.
Medicamentos já conhecidos, como semaglutida e tirzepatida, agem em um ou dois desses caminhos.
Quanto os pacientes emagreceram
No estudo, os participantes foram divididos em grupos que receberam doses de 4 mg, 9 mg e 12 mg da retatrutida ou placebo. Na dose de 4 mg, a perda média de peso foi de 19% após 80 semanas. Na dose de 12 mg, chegou a 28,3%.
Quase metade dos participantes que receberam a dose mais alta perdeu pelo menos 30% do peso corporal.
Entre os participantes com obesidade mais grave que continuaram no estudo por 104 semanas, a perda média chegou a 30,3%. Para exemplificar, uma pessoa com 100 quilos teria, em média, uma redução próxima de 30 quilos nesse grupo.
Ainda não está à venda
Apesar dos resultados, a retatrutida ainda é experimental. Ela ainda não foi aprovada para uso público no Brasil nem nos Estados Unidos e, segundo a própria Eli Lilly, está disponível apenas dentro de estudos clínicos.
A empresa pretende pedir autorização às autoridades regulatórias dos Estados Unidos em 2027.
Isso significa que ainda não há previsão oficial de quando a caneta poderá chegar às farmácias. Também não existe preço definido.
Novo estudo em pessoas com diabetes
Outro estudo de fase 3, apresentado nesta semana no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, avaliou a retatrutida em pessoas com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2.
Nesse grupo, a dose mais alta levou a uma perda média de 20,8% do peso ao longo de 80 semanas.
Mais da metade dos participantes deixou de preencher os critérios de índice de massa corporal para obesidade. A glicemia também melhorou.
A hemoglobina glicada caiu até 1,6 ponto percentual, e até 40% dos participantes chegaram a valores considerados normais para esse indicador.
Efeitos colaterais
Os efeitos adversos mais comuns foram semelhantes aos observados em outros medicamentos que atuam no GLP-1. Entre eles apareceram náusea, diarreia, constipação e redução do apetite.
No estudo com pessoas com diabetes, parte dos participantes interrompeu o tratamento devido aos efeitos adversos, principalmente nas doses mais altas.
Por isso, apesar dos números expressivos de perda de peso, os pesquisadores reforçam que a segurança e os benefícios da retatrutida ainda continuam sendo avaliados.
Apneia do sono
A retatrutida está sendo estudada não apenas para obesidade. A Eli Lilly também conduz pesquisas envolvendo diabetes tipo 2, apneia do sono, dor no joelho causada por osteoartrite, doença hepática ligada ao metabolismo e desfechos cardiovasculares e renais.
Se os resultados continuarem positivos e o medicamento for aprovado pelos órgãos reguladores, a retatrutida poderá se tornar mais uma opção no tratamento da obesidade.
FONTE – SO NOTICIA BOA