Esperar meses, anos e até décadas por um transplante. Finalmente, conseguir um doador. Mas, depois que o procedimento é autorizado, surge outra questão: fazer órgãos e equipes chegarem ao destino no tempo adequado.
Em um país de dimensões continentais, a distância pesa na corrida. No Ceará, a Central Estadual de Transplantes, vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), coordena esse processo. Quando o deslocamento é por via aérea, aeronaves da Casa Civil ou da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), que integra a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), são acionadas. Mas há outras formas de garantir esse transporte?
No Brasil, uma iniciativa de aviação solidária, que ainda opera vinculada apenas ao Estado de São Paulo, tem disponibilizado aeronaves privadas para o transporte de órgãos e ajudado a agilizar as operações. Criado em setembro de 2024, em São Paulo, o TransplantAR conecta, de forma voluntária e gratuita, proprietários e operadores de aeronaves particulares à logística de captação de órgãos.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, o comandante Francisco Lyra, que é presidente do Instituto Brasileiro de Aviação (IBA) e idealizador do TransplantAR, explicou como funciona, quais os impactos e o que é preciso para expandir a iniciativa.
No Ceará, a Central de Transplantes, segundo a orientadora do órgão, Eliana Barbosa, além de definir o destino dos órgãos conforme a lista de espera do Sistema Nacional de Transplantes, articula uma ampla rede para viabilizar também o transporte. No Estado, os hospitais que fazem transplantes estão concentrados em Fortaleza, portanto, a captação pode ocorrer no interior, mas eles são levados à Capital.
Nesses deslocamentos, a Central aciona aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou uma disponibilizada pela Casa Civil. Nos voos, são transportadas tanto as equipes de captação quanto os órgãos. Quando o destino é outro estado, a Central coordena o embarque em voos comerciais, junto às companhias aéreas. Se não houver uma opção compatível com o tempo disponível, o Estado pode ceder aeronaves próprias.
Essa realidade é compartilhada por inúmeros estados brasileiros, e ciente dela, o programa TransplantAR foi idealizado. A iniciativa, que tem cerca de 50 empresários proprietários de aeronaves cadastrados, atua em cooperação com o Sistema Único de Saúde (SUS) e já transportou, desde 2024, mais de 74 corações, 17 pulmões, 26 fígados e 2 pâncreas.
No programa, os empresários devem disponibilizar voos mensais – arcando o custo do piloto, combustível e taxas – para o transporte organizado pela Central Nacional de Transplantes (CNT), cuja chegada ou partida seja o Estado de São Paulo.
O Diário do Nordeste veicula neste mês a série de reportagens multimídia “EntreLaçados, a rede que move transplantes no Ceará” e revela bastidores de um processo que, guiado pela ciência, entrelaça para sempre pessoas, profissionais e sensações como esperança, solidariedade, luto, dor, amor e vitória. Além de reportagens no site, o especial traz um mini documentário focado no tempo e no processo das esperas por transplante, publicações nas redes sociais, episódios de podcast e uma newsletter.
FONTE – DIARIO DO NORDESTE