Tecnologia cearense recarrega carro elétrico em 5 minutos

Uma febre aquece o mercado varejista de automóveis em Fortaleza e nas demais capitais e grandes cidades brasileiras: o carro elétrico. E a indústria chinesa avança em alta velocidade, e usa de um artifício inteligente para dominar a praça nacional: traz de lá, desmontadas, todas as peças do carro e, aqui, monta-as, tirando ainda proveito de incentivos fiscais. Mas não é só ela: a General Motors, americana, que tem fábrica na China, também descobriu o Brasil e, mais ainda, o Ceará, onde, gozando dos mesmos benefícios, já monta na sede do vizinho município de Horizonte suas caminhonetes Spark e Captiva, que brevemente serão os veículos oficiais do governador do estado e das autoridades de Horizonte. 

Os automóveis elétricos são movidos pela energia acumulada em suas baterias. Este colunista, que não possui carro, utiliza o Uber para ir e voltar dos seus compromissos sociais profissionais, e tem, nos últimos dias, observado que cresce o número dos motoristas desse aplicativo que já são donos de veículos elétricos, silenciosos, confortáveis e, até certo ponto, baratos, comprados em prestações mensais que se estendem por até três anos. Informam os motoristas que a bateria, com garantia de 8 anos, é carregada em até 50 minutos ou menos, dependendo do carregador.  

É aqui que esta coluna quis chegar para revelar uma boa novidade: um engenheiro cearense, que há muitos anos está dedicado ao setor de geração de energia renovável, criou, desenvolveu e tenta comercializar, agora, um equipamento que recarrega duas baterias de carro elétrico ao mesmo tempo, graças ao que o seu inventor chama de “Plug Station, a Tecnologia Inteligente Independente”. O nome desse engenheiro é Fernando Ximenes, que, como um profeta a pregar no deserto, luta contra o que considera “preconceitologia”.  

Sob o argumento de que “santo de casa não faz milagre”, Ximenes – que desenhou, fabricou e instalou na lagoa da fazenda Chica Doce, do empresário Beto Studart, uma miniusina solar fotovoltaica que, movimentando uma motobomba, irriga os jardins da propriedade – não tem dúvida de que esse preconceito existe “pelo medo do diferente, do novo, do que gera competição”. Inconformado pela falta de apoio ao seu mais novo invento, o engenheiro Fernando Ximenes esforça-se sozinho para mostrar aos donos de postos de gasolina, aos síndicos de edifícios comerciais e residenciais, “e a quem mais se interessar”, todas as virtudes do seu Plug Station, que cumpre o que promete: recarrega rapidamente a bateria de um carro elétrico. 

Ele abre o coração e pronuncia um duro discurso: 

“Sendo claro e realista, posso dizer que no Ceará podem surgir as melhores, as mais avançadas e as mais vanguardistas ideias tecnológicas, mas elas não terão êxito por causa da predominância da preconceitologia local, que não valoriza os produtos e os serviços genuinamente cearenses, o ‘made in Ceará’, e isto não é de hoje, mas vem de há muito tempo.”  

Para Ximenes, “a inovação no Ceará tem sido apenas título de palestras e cursos e discursos sem curso”. Há exagero nas suas palavras – é só acompanhar o que se passa no Senai-CE (centro de formação e qualificação da mão de obra da indústria) e no Senar-CE (a mesma coisa no setor da agropecuária). Então, que tal buscar uma parceria com a Fiec?  

Enquanto os cearenses não o descobrem, o Plug Station de Ximenes está prestes a entrar no mercado da Bahia e de São Paulo. Sua grande vantagem é a seguinte: ele custa R$ 350 mil, que se pagam em três meses. Ele faz as contas para explicar, didaticamente, como isso acontece: 

“O Plug Station pode recarregar dois carros simultaneamente em 5 minutos, 12 carros por hora e, em 24 horas, 288 e, em um mês, 8.640 carros.  Esta é uma conta com folga, considerando apenas 1/3 da capacidade de recarga do Plug Station 600 KW, quando ele pode atingir muito mais”, é o que o próprio Ximenes informa. É um bom negócio.  

Por enquanto, mas só por enquanto, o equipamento criado por Fernando Ximenes e já pronto para ser comercializado ainda não registrou a primeira venda. Os baianos e paulistas podem partir na frente. 

FONTE = DIARIO DO NORDESTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima